20 5 / 2012

muito tempo sem escrever e as palavras saem com dificuldade, quase roucas

14 5 / 2012

adoro quem fala com o alfabeto do olhar 

02 5 / 2012

- Oi, querido! Tá tudo bem contigo?

- Não 100%

- E o que falta pra ficar 100%?

- Um muito de tudo

- São várias porcentagens, em várias categorias de coisas em sua vida?

- Sim, downloads pela metade

- Então mude de internet. Ponha uma mais veloz!

 ”Lex Mendes está offline, mas você ainda pode deixar uma mensagem”

02 5 / 2012

finalmente minha saudade por você prescreveu

30 4 / 2012

quem bom que a vida é esse emaranhado de caminhos se cruzando

30 4 / 2012

deitado na cama, tinjo o teto de sonhos

24 4 / 2012

os versos são como filhos: eles nascem, ganham vida própria, independência e vão embora. e levam a nossa melhor parte

24 4 / 2012

Uma força da natureza

É quase certo olhar para ela e se deparar com a mesma carinha de menina e sorriso maroto dos tempos da estreia. Atriz das mais importantes da teledramaturgia brasileira, Lucélia Santos sabe que tem estrela


Em agosto de 2012, Nelson Rodrigues (1912-1980) completaria 100 anos. O dramaturgo, que agitou a vida cultural do País durante décadas, criou textos marcantes e personagens inesquecíveis. Nelson explorava sem pudor os mais variados tipos da sociedade brasuca, levando a expressão cênica ao seu caráter essencial. A peça Vestido de Noiva (1943, dirigida pelo polonês Ziembinski) representou um salto na qualidade dos espetáculos nacionais. O caráter inovador da trama, que rompia com a linearidade narrativa, impactou no público acostumado com a produção pouco significativa daquele contexto, muito influenciado por montagens estrangeiras. Ressaltar a importância do autor é afirmar o papel da arte como instrumento questionador, que coloca em discussão os aspectos centrais do mundo moderno, investigando o que existe por trás da falsa moral. Quem conhece a obra do eterno anjo pornográfico sabe, por exemplo, que as suas mulheres são intensas – personagens com complexidade psicológica indiscutível e comportamento ácido. Diversas atrizes interpretaram papéis rodriguianos, mas quem possui o título de musa absoluta ainda é Lucélia Santos. Ela soube dar vida aos textos do escritor com sensibilidade única, seja no palco ou nas telonas. Lucélia estreou no teatro aos catorze anos, na década de 70. Era o início de uma trajetória de sucesso, que teve impulso com o megassucesso da telenovela Escrava Isaura (1976), cuja repercussão internacional destacou o nome da intérprete para sempre. Batemos à sua porta para saber quem é realmente essa mulher. 

Você começou a sua carreira ainda criança. Como surgiu o gosto tão rápido pela arte de atuar?Quando se é jovem não existe medo, só uma força incrível, um desejo de atingir seus objetivos que eu chamo de vocação. Eu tinha aptidão pra dar, vender e oferecer (risos!). Apaixonei-me pela minha profissão assistindo teatro em São Paulo, lembro como se fosse hoje, no teatro do SESC Anchieta. Era A Moreninha, com Marília Pêra e Perry Salles. Foi ali que vi que era aquilo que eu queria fazer, e ainda não mudei de ideia!

Durante a sua trajetória, você teve contato com nomes consagrados da televisão, teatro e cinema. Quem você destacaria? Marília Pêra influenciou a minha vida. Ney Matogrosso, com quem estreei no Teatro, Davi Neves, o diretor mais liberal com quem já trabalhei, Bia Lessa, diretora que percebeu minha alma e natureza e, claro, Nelson Rodrigues, que mudou a vertente da minha carreira quando eu era ainda muito jovem. Cresci interpretando Nelson, foi um privilégio. Quanto aos atores, preciso citar Rubens de Falco, um grande companheiro, e Walmor Chagas, um dos profissionais mais apaixonantes que conheci; amo!

O sucesso de Escrava Isaura eternizou o seu rosto na teledramaturgia brasileira. Em algum momento esse sucesso chegou a te incomodar? Eu fui salva pelo meu instinto de preservação. Nunca deixei o imenso sucesso que vivi no Brasil e no exterior tomar conta da minha alma. Sempre tive o impulso da domadora de egos. Aí, mais tarde, quando encontrei o budismo e a minha turma. Entendi que não só eu, que tinha o rosto tão divulgado, tinha que me desapegar do eu, mas todo ser humano… É difícil, mas é fundamental para o crescimento espiritual e para se atingir a iluminação.

Como você conheceu Nelson Rodrigues? Na verdade, ele me conheceu através da novela Escrava Isaura e passou a perguntar por mim ao autor da novela e aos jornalistas. Apesar de muito jovem, eu o estudara na minha formação. Aceitei os convites para fazer seus filmes no cinema e ele, apesar de doente, ia ao set assistir algumas filmagens, ficamos amigos. Também o encontrei algumas vezes no presídio da Frei Caneca, que nos dois frequentávamos por diferentes razões; ele, porque tinha o filho preso, Nelsinho, e eu, porque era alinhada com a campanha da Anistia Internacional.

As mulheres de Nelson Rodrigues são intensas. Poderíamos afirmar que você também é assim?Sim, sim e sim. 100% sim.

O que mais te impressiona no teatro rodriguiano? A genialidade do escritor, do dramaturgo, do construtor de imagens e ideias. 

Dentro do extenso universo ficcional de Nelson Rodrigues, existe alguma obra por qual você nutre uma atenção especial? Há duas obras do Nelson que me chamam atenção, são as tragédias Senhora dos Afogados e Anjo Negro. São implacáveis… Pensei em montar a primeira, mas acabei passando pro Aderbal Freire Filho fazer. Das mais populares, mencionaria três que adoro: Vestido de Noiva, O Beijo no Asfalto e Boca de Ouro. 

Quando o Budismo entrou em sua vida? Quais mudanças você destacaria a partir dessa ligação? Nessa encarnação entrou em 1996, através do meu encontro com Chagdud Tulku Rinpoche. Já era simpatizante e desde a infância eu nutria o desejo de ter um altar com o Buda azul e um quarto iluminado nessa mesma cor, com uma almofada para meditar. Desde 2002 sou praticante de verdade. As mudanças vêm com o amadurecimento da mente que se dá pela meditação e contemplação. A gente as vezes acha que não esta acontecendo nada, como quando a gente quer muito que o cabelo cresça e não vê resultado. Mas de repente você olha e o cabelo está grande! Opa! É assim na prática. A mente se abre e o ego se acalma.

Você dirigiu e produziu o documentário Timor Lorosae – O massacre que o mundo não viu, que foi lançado em 2001, e trata sobre a história recente do Timor Leste. Sua equipe chegou ao país um ano após a destruição total do território pela vizinha Indonésia, em 1999. O que você destacaria durante as filmagens? Os depoimentos sobre a morte de familiares próximos, como aquela senhora que conta como viu dois filhos morrerem de fome nas montanhas quando eles fugiam.

Por causa da sua grande ligação com a China, muita gente acha que você mora por lá. O que você disso? Não vivo e nunca vivi. Filmei por lá, mas o máximo que fiquei foram dois meses. Fui a China mais de 23 vezes, porém sempre volto pra casa, no Rio de Janeiro. Engraçado imaginar que muita gente acha que eu more na China… Vou pensar sobre isso… 

Depois de uma trajetória de diversos trabalhos notáveis, existe alguma coisa que você ainda não fez? Sim, eu gosto muito de cinema e de documentários com linguagem cinematográfica, como Timor. Eu tenho um projeto sobre mulheres, sobre os matriarcados no mundo. Gostaria de fazer uma tragédia clássica no teatro e uma comédia também. Na TV penso em fazer um papel em que possa testar as minhas ideias sobre como representar; hoje tenho achado tudo vazio e sem estilo, chego a pensar que não existe mais dramaturgia. Mas pode ser atraso meu… Não gosto definitivamente de reality shows…


para o site Sans Nom

22 4 / 2012

domingo e esse tédio que só aponta ausências

11 4 / 2012

não falta assunto em nosso silêncio

11 4 / 2012

silêncio é assunto encalhado

27 3 / 2012

quando a tristeza atinge o nível máximo da felicidade

21 3 / 2012

sou um poema tão curto que nunca serei lido

15 3 / 2012

já faz algum tempo que eu encontrei a nossa árvore.

vezenquando passo por lá;

vigio, limpo a raiz,

dou um abraço apertado no tronco

e volto pra casa

29 2 / 2012

eunãomereçogostartantoassimdevocêsemvocêgostarumtantoassimdemim